Bandha no Ashtanga Vinyasa Yoga
por Cathia Karin Heuser
Bandha são fechos que evitam a dispersão da energia e ao mesmo tempo conduzen-na para alguma região específica.
Os três mais importantes são: jalandhara bandha, o uddiyana bandha, e o mula bandha. Jalandhara bandha envolve o pescoço e elevar a espinha e deixar toda a coluna ereta. Uddiyana bandha localiza-se na na entre o diafragma e o chão pélvico. Mula bandha envolve a área entre o abdômen e o chão pélvico.
Os três bandhas podem ser aplicados ou sentidos tanto na inspiração quanto na expiração. Em ambos os casos o movimento da energia é ascendente (a coluna), transformando o movimento rotineiro apanico (descendente).
Leia à seguir uma explicação de cada um deles:
Jalandhara bandha (o bandha da rede) na região da garganta
Uma rede de nadis passa por esta região .
Para fazê-lo eleve a coluna deixando-a reta e alongada. A cabeça desce um pouco à frente, o pescoço se alongará e o queixo encontrará a base da garganta. Desde que o seu queixo esteja para baixo e a sua coluna ereta, você estará fazendo o jalandhara bandha. Este bandha aparece em algumas posições mas não em todos os asanas.
Tem o efeito de desobstruir as passagens nasais e regula o fluxo de sangue e de energia sutil para o coração, cabeça e glândulas endócrinas no pescoço (tireóide e paratireóide). Estimula o anahata chakra encaminhando a sua energia para a sushumna nadi, evitando que a mesma se disperse voltando para baixo. Ajuda a controlar as forças vitais e acorda a kundalini.
Uddiyana bandha (o vôo ascendente) na região do baixo ventre
Esta técnica énormalmente ensinada da seguinte forma: o diafragma e o baixo ventre são elevados. Quando você exalar contraia o abdômen, no final da exalação, o abdômen deve estar totalmente contraído, para cima e em direção à coluna. Com esta contração o diafragma levanta. Quando este bandha é mantido com maestria, o umbigo se move em direção a espinha e os músculos retos e posteriores se contraem, e na fase completa do uddiyana bandha todo o abdômen fica côncavo.
Na prática do Ashtanga Yoga é super importante a manutenção do bandha, só que a contração fica mais na área do baixo ventre, dois dedos abaixo do umbigo, e é feita de forma suave, pois mantemos o bandha durante a inspiração e na exalação, então o diafragma fica livre para fazer o seu movimento natural.
Este bandha eleva a energia. Quando os músculos abdominais são pressionados e levantados para cima e para baixo das costelas, o prana encaminha-se para as nadis9corrente de prana, energia vital, energizando-as fortemente, principalmente na área do manipura chakra, aumentando a temperatura do corpo.
O aumento do fogo gástrico remove as doenças dos órgãos abdominais.
Mula bandha (bandha da raiz)
Contraem-se os esfíncteres do ânus e o períneo puxando o assoalho pélvico para cima. Esta ação fortifica o assoalho pélvico, que é formado principalmente pelos músculos eretores do ânus e dos músculos coccígeos, permitindo à rede muscular resistir à pressão desenvolvida pelo empurrão de cima para baixo do diafragma, resultando em um aumento de pressão intra-abdominal com todas as boas repercussões para esta região. Estimula a região sacra e pélvica.
A energia apana que está localizada na parte baixa do corpo é forçada para cima e alcança agni (fogo digestivo) no manipura e depois chega até o prana no anahata provocando uma onda de calor que aquece todo o corpo.
Este forte calor desperta o fogo interno do corpo e acorda a energia da kundalini e ajuda-a a penetrar o canal central (nadi central) sushumna.
Durante a prática
A maioria dos movimentos para cima é conectada com a inalação e também associados com a firmeza. A maioria dos movimentos para baixo é conectada com a exalação e também associados à flexibilidade: este é o sistema de vinyasa. É uma regra geral que o mula bandha seja ativado (consciente ou inconscientemente) com a inalação para facilitar o movimento do prana. Tradicionalmente o uddiyana bandha é ativado no final da exalação.
Pelo fato de também ativar o mula bandha na exalação mais energia é trabalhada. O uddyana bandha deve ser feito na inspiração, o que mantém a expansão dos limites e a coluna lombar estendida. Baixando o diafragma e expandindo a lateral das costelas na inspiração também aumenta a circulação de prana no corpo, mantendo a mente alerta.
Não é necessário apertar demais o bandha, pois isso pode se tornar uma distração para o que realmente está acontecendo.Eles também não podem ser ignorados. A respiração deve fluir e se mover assim como o bandha. O mula bandha é o suficiente para trazer a atenção do praticante à região do períneo.
Algumas áreas para focalizar a atenção no mula bandha: os saltos, posturas invertidas, e em particular no utpluthi. Isto é secundário em relação à respiração. Primeiro respire, depois faça os bandhas e depois drishti, nesta ordem.
O jalandhara bandha é enfatizado na invertida sobre os ombros, dandasana e em padmasana, durante pranayamas.
Os bandhas tem um importante papel no processo de limpeza de todo o corpo, Eles intensificam este processo. Os textos falam-nos que usando os bandhas, agni (o fogo) é direcionado para o exato local onde o lixo, as toxinas estão bloqueando o fluxo da energia no corpo. Os bandhas intensificam o efeito do fogo, do calor. A palavra bandha significa – colocar junto, aproximar, é desta forma que é usada no yoga, bandha também significa fechar, prender, trancar. Quando executamos o bandha nós fechamos certas áreas do tronco de uma forma particular.
Bandha e asanas
Comece tentando usar os bandhas em asanas mais simples onde você possa observá-los melhor, como no adhomukha svanasana, no trikonasana, comece tentando primeiro o uddiyana, mais tarde o mula e depois tente manter os dois enquanto permanece no asana.




